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Planta pode ser útil em combate a Aids

Cientistas descobriram uma molécula a partir de uma planta do Piauí que promete uma revolução nos estudos contra a AidsEm parceria com cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma pesquisa realizada por um laboratório de Campinas, descobriu uma molécula a partir de uma planta do Piauí que promete uma revolução nos estudos contra a Aids. A substância retirada do látex do vegetal consegue entrar no chamado “santuário” do vírus, local no interior das células onde outras medicações não conseguem atuar, extraí-lo e permitir que o vírus seja morto pelo coquetel antiviral.

Um dos grandes desafios encontrados por bioquímicos que pesquisam drogas contra a doença é conseguir destruir os vírus que se alojam no interior das células infectadas sem matá-las. O coquetel atualmente administrado aos pacientes conseguem eliminar os vírus que ficam fora das células, mas os que se localizam no DNA ou se alojam no citoplasma — em estado de latência (inativos) — não são atingidos e voltam a se multiplicar quando a medicação é suspensa.

Os primeiros testes mostraram que a substância extraída do látex da planta foi capaz de ativar 80% dos vírus que ficam “escondidos” no DNA, enquanto testes realizados em outros laboratórios obtinham cerca de 20% de sucesso com outras moléculas testadas. “Várias empresas já testaram outros tipos de moléculas com esse tipo de ação, mas costumavam ser tóxicas. Essa descoberta mostra que podemos reduzir drasticamente o reservatório de vírus, o que pode levar à cura do paciente”, afirma o pesquisador da UFRJ e consultor do Programa Nacional de Aids, Amílcar Tanuri.

O próximo passo da pesquisa deve ser iniciado já no ano que vem. Macacos da espécie rhesus e camundongos geneticamente modificados serão utilizados para avaliar o grau de toxicidade e a ação sobre seres vivos. Apesar dos primeiros testes terem mostrado que a toxicidade da planta é baixa, ainda não há estudos conclusivos sobre como o corpo humano reage à administração da droga.
Caso os resultados mostrem que houve tolerância ao uso da medicação, os primeiros testes em seres humanos devem ser iniciados em 2013. Ainda não se sabe como a nova droga seria administrada, mas a ideia é que ela seja incluída no coquetel que é dado aos pacientes com HIV.

A descoberta da molécula na planta aconteceu após pesquisas que tentavam identificar propriedades farmacológicas que fossem capazes de agir na luta contra o câncer. Relatos de moradores da região Nordeste davam conta de que pessoas que tomavam o chá da planta teriam obtido melhora no quadro clínico de câncer. Em 2003, o laboratório Kyolab, dirigido por Luiz Pianowski, começou a pesquisar e descobriu que a bebida administrada a pacientes com câncer tinha resultados sobre a doença.

Por volta de 2009, os estudos mostraram que a molécula que tinha ação sobre o câncer poderia ser usada também contra vírus. Há cerca de seis meses, os primeiros testes identificaram que a nova molécula era capaz de obter resultados inéditos. Segundo os pesquisadores, já foram testadas mais de dois milhões de moléculas em laboratórios internacionais e nenhuma delas se mostrou ativa contra o vírus da aids.

A pesquisa já foi patenteada e o estudo deve ser publicado em breve na revista internacional Aids. “É uma descoberta que todos estavam procurando. A abordagem é inédita e não há nada no mundo que atue dessa forma”, afirma o diretor do laboratório de Campinas.

A pesquisa iniciada há cerca de nove anos com a planta consumiu cerca de R$ 20 milhões e foi patrocinada por uma empresa ligada à produção de medicamentos à base de plantas. Os pesquisadores explicam que não vão divulgar o nome da planta em função de segredo industrial e do temor de que haja uma corrida ao chá comercializado no Nordeste.

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