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Paulínia Festival de Cinema 2011

Febre do RatoNo texto de abertura e antes de iniciar a cobertura diária in loco do 4º Festival de Paulínia, se questionou qual seria o limite para o evento que mais atrai atenção da imprensa nacional, o festival destina as maiores premiações e, em quatro anos, consolidou-se num lugar que antes era ocupado por Gramado e pelo Festival do Rio de Janeiro.

Só o tempo e uma análise sem precipitação vão dizer se Paulínia conseguirá manter a força apresentada neste ano em todas as frentes: vitrine para as produções que usufruíram dos serviços e edital do polo de cinema; cinema de autor vigoroso e arriscado; cinema comercial com realmente algo a dizer; e habilidade em trazer 12 mil pessoas a um evento cinematográfico deste porte.

Nem sempre tem-se a chance de presenciar um festival de cinema que chega ao final com três longas realmente merecedores de serem alçados pelo júri oficial à categoria de Melhor Filme. Em 2011, podemos nos deliciar com as qualidades e discutir os defeitos de Febre do Rato, O Palhaço e Trabalhar Cansa com a mesma intensidade.

Escolher entre um e outro é decisão que envolve pequenos detalhes, sensibilidade e preferências individuais. Até injusto, apesar de inerente na atividade de um júri, apontar esse em detrimento daquele quando se tem três produções honestas na proposta e coerentes na realização. Claudio Assis buscou a volúpia do corpo e a beleza do texto poético; Selton Mello, uma possibilidade de esperança por meio do humor e da encenação circense; Marco Dutra e Juliana Rojas, os mais novos do time, o silêncio e elementos do suspense para comentar as relações de poder.

Na seleção de longas-metragens de ficção, a sensível diferença está no desnível entre os filmes de primeiro e segundo escalão. Enquanto neste ano houve maior equilíbrio, já que Meu País, Os 3 e Onde Está a Felicidade? tem seus méritos, no ano passado havia um cânion entre os filmes premiados e os que passaram em branco.

Meu País

O que leva à essência deste 4º Festival de Paulínia: equilíbrio, especialmente entre as diferentes propostas de cinema que passaram por aqui em sete dias. Contrabalancear o que chamamos grosso modo de “cinema comercial” e “cinema de autor”, com direito a algum OVNI no meio do caminho, é uma tendência desde o primeiro ano. A diferença é que, por conta dos longas que entraram, o almejado equilíbrio foi nivelado por cinema, não por baixo, como há dois anos, quando Paulínia trouxe dois paradigmas que não dialogaram: Destino, o filme-evento-fracasso de Lucélia Santos, e No Meu Lugar, de Eduardo Valente.

Mas o tal equilíbrio na seleção de longas-metragens de ficção só foi concretizado porque Paulínia recebeu Febre do Rato. Não apenas pelos méritos que o filme tem, mas pela pulsão e potência necessárias para um festival que precisa de vida, mostrar que tem sangue nas veias e expandir ainda mais o lastro com a população daqui e dos arredores. Se não fosse a presença da produção de Claudio Assis, que saiu com oito prêmios e se tornou a grande vencedora, permaneceria a mesma sensação do ano passado de que faltou algo.